sábado, 12 de outubro de 2013
On stage
Sim. E naquele reflexo, sob a luz dos holofotes, eu via o vulto dos meus sonhos. Sonhos que morreram no berço. Sonhos que talvez nunca tenham saído do útero. Mas que são sonhos. Uma coisa me fez estranhar aquele momento: com centenas de olhos me devorando, a única sensação que me embrulhava o estômago e sacudia-me o âmago era a de ter o teu olhar, eventualmente, sobre mim. E todo o meu corpo ressoava e vibrava com as canções que provavelmente nunca cantarei. Aquelas melodias que mantenho trancafiadas no fundo da alma. Sons de vergonha. Toadas de dor, e a amarga sensação de te sentir escapar-me por entre os dedos.
Observo, o reflexo com olhos famintos. Como um gato que observa, através de uma janela, os rouxinóis brincarem nos jardins. Nao seria sensato seguir meus impulsos e tingir as vidraças com o roxo da minha inquietude para não ser obrigado a encarar minha perda.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário