domingo, 13 de outubro de 2013
És tu
Tens a doçura de todos os alambiques.
De todos os engenhos.
Da cana doce colhida sob o sol alegre.
Tens o brilho dos suaves riachos mansos que cortam a terra e oferecem de beber aos sedentos.
Tens a pele lisa e casta como a superfície do leite fresco.
Tens o hálito fresco como os ventos que invadem as casas carregando os odores das ervas banhadas pela chuva.
Tens os olhos dos céus azuis do sertão. Olhos confortantes, olhos sofridos.
Tens, porém, as ideias rígidas e fixas como os galhos das figueiras.
E esse é o nosso fim, meu pequeno pássaro.
sábado, 12 de outubro de 2013
On stage
Sim. E naquele reflexo, sob a luz dos holofotes, eu via o vulto dos meus sonhos. Sonhos que morreram no berço. Sonhos que talvez nunca tenham saído do útero. Mas que são sonhos. Uma coisa me fez estranhar aquele momento: com centenas de olhos me devorando, a única sensação que me embrulhava o estômago e sacudia-me o âmago era a de ter o teu olhar, eventualmente, sobre mim. E todo o meu corpo ressoava e vibrava com as canções que provavelmente nunca cantarei. Aquelas melodias que mantenho trancafiadas no fundo da alma. Sons de vergonha. Toadas de dor, e a amarga sensação de te sentir escapar-me por entre os dedos.
Observo, o reflexo com olhos famintos. Como um gato que observa, através de uma janela, os rouxinóis brincarem nos jardins. Nao seria sensato seguir meus impulsos e tingir as vidraças com o roxo da minha inquietude para não ser obrigado a encarar minha perda.
Stars
Well... Apparently reality doesn't exist as a concrete thing. I noticed each and every one of us has their own reality and it is all based on the way you see or feel things. You choose whether magic exists or not. You choose whether you will see a falling star as a piece of rock that is entering the atmosphere or a magical and romantic opportunity to steal a kiss from someone. You choose whether you are going to take things slowly and end up not living from the fear of getting hurt, or accept all your emotions and just let them bloom.
The way we all perceive things is very different and sometimes we feel like changing our own way of seeing the universe because of one person. You may try. But you have an entire life behind you, experiences that have made you see things the way you see them. And one person, one occasion or one suffering is not enough to change that.
These single occasions are, in fact, strong enough to motivate you to move! Maybe do something new or risky. Like for instance someone who ends up writing a long text in a language they don't master.
Anyway... Aren't these different points of view what make living a fun experience?
Simples assim!
Parece que minha vida é muito feita disso...
Desses encontros, desses "adeuses"...
De toques fugazes, olhares. Essas já são toadas que sei de cor, mas que sempre me tocam. Sempre me encontram meio de mau jeito. Meio "atravessado", sabe? O coração dá um suspiro, estica os braços, e quando vê: já foi.
Curto assim. Simples assim... Simples sim, mas não raso. Afinal de contas o que há de errado com a simplicidade? Se for genuína: nada! O "raso", apesar de parecer mais útil e mais fácil, às vezes machuca bem mais. Dá aquela dorzinha, sabe? Como se um "sonho de valsa" não tivesse aquele recheio macio. Por isso é melhor dar uma mordida voraz em um sonho de valsa bem recheado e perdê-lo, que morder o vazio e perdê-lo assim mesmo. Apesar do sobressalto inicial, que sempre existe, já aprendi a me conformar com o prato inacabado, a taça de vinho pela metade e o expresso fumegante, que às vezes nem tenho tempo de tocar.
Você também aprende a reconhecer aqueles que só querem o fácil, o simples e o rápido. E eventualmente aprende a se afastar. Se o tempo é pouco e tão precioso, pra quê gastá-lo com o vazio? Com o raso! Se é pra pegar fogo, que abrase tudo de uma vez! Se é pra inundar, que seja um dilúvio perfeito.
Bem,
Aprende-se também, que muito pouco do que se tem é definitivo. Pouquinho mesmo...
Todo aquele amargor, quando esquecido, significa nada. E pode dar espaço a sentimentos novos. O mesmo acontece com o amor e outros sentimentos. Só não é passageiro aquilo que é parte de nós. Às vezes tentamos apagar, esquecer, afastar, cantarolar de mão nos ouvidos e olhos fechados... Mas não tem jeito! Às vezes no vagão lotado do trem da vida alguém te toca, e quando você vê, as raízes te atravessaram e vocês até já floresceram juntos. Desse tipo de relação não se tem pra onde correr.
Bem, não era meu propósito escrever tanta besteira em um texto só, mas sabe como é... Vou ali buscar um copo de água.
Até mais!
Ou seria "até logo"?
Acho que tchau mesmo...
Não, melhor: Adeus!
(Não conte a ninguém, mas TODOS os "adeuses" duram pouco)
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