sábado, 24 de setembro de 2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Cerra teu punho e diz-me não!
Mas fecha as mãos com cuidado
Para não esmigalhar meu coração
Que, indefeso, dorme aí dentro.

Regret

Os sorrisos que perdi estão guardados com os abraços que nunca dei e as palavras que engoli. Hoje fujo de teus olhos, pois minha alma, sob teu olhar, derrete-se como a cera ao fogo.

sábado, 17 de setembro de 2011

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

"Sofri o grave frio dos medos, adoeci. Sei que ninguém soube mais dele. Sou homem, depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro — o rio."
Guimaraes Rosa (A Terceira Margem do Rio)

Everytime we say goodbye, I die a little,
Everytime we say goodbye, I wonder why a little,
Why the Gods above me, who must be in the know.
Think so little of me, they allow you to go.
When you're near, there's such an air of spring about it,
I can hear a lark somewhere, begin to sing about it,
There's no love song finer, but how strange the change from major to
minor,
Everytime we say goodbye.

When you're near, there's such an air of spring about it,
I can hear a lark somewhere, begin to sing about it,
There's no love song finer, but how strange the change from major to
minor,
Everytime we say goodbye.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Não é uma opção



Preciso saber de você, como está e pelo que passou hoje. Meu medo maior é ter-te causado mal, uma vez que minha felicidade depende da sua. Mais uma vez estás no Olimpo. Inalcançável. No momento o mais sábio seria beber do Letes, já que me foi confirmada a distância entre nós, no entanto as águas mágicas fogem das minhas mãos e o rio se curva distanciando-se de mim. O único rio que alcanço é o Aqueronte e esse me oferece águas flébeis e brilhantes. Então é dali que escolho beber.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Companhia



Quero soprar sobre tua alma a mais refrescante música....
Foto: Philip Schumacher

sábado, 3 de setembro de 2011

A chair is still a chair
Even when there's no one sitting there
Well I'm not meant to live alone
Turn this house into a home
When I climb the stair and turn the key
Oh, please be there....
Each time the doorbell rings I still run!!!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

If you have a minute, why don't we go talk about it somewhere only we know?

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Você me lê? Qual a sua inicial? N de ninguém?

Proteção

Minha vontade é de proteger-te do mundo,
Em meus braços estarás a salvo.
Quero cobrir-te os olhos contra a crueldade,
Tapar-te os ouvidos contra as maldades,
Mas manter tua boca bem aberta,
Porque é por ali que vou receber o mais doce presente,
E doar-te minha alma e música.

Grito


Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo directamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

P. Neruda

http://www.youtube.com/watch?v=BFeaXqWmNOQ&feature=related

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Suave é a bela como se música e madeira,
ágata, telas, trigo, pêssegos transparentes,
tivessem erigido a fugitiva estátua.
Para a onda dirige seu contrário frescor.

O mar molha polidos pés copiados
à forma recém-trabalhada na areia
e é agora seu fogo feminino de rosa
uma borbulha só que o sol e o mar combatem.

Ai, que nada te toque senão o sal do frio!
Que nem o amor destrua a primavera intacta.
Formosa, revérbero da indelével espuma,

deixa que teus quadris imponham na água
uma medida nova de cisne ou de nenúfar
e navegue tua estátua pelo cristal eterno.

(Pablo Neruda)

sábado, 21 de maio de 2011

Espontâneo e verdadeiro como um calafrio

"Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo."

Pablo Neruda

domingo, 6 de março de 2011

Impasse





"Toma-me.
A tua boca de linho sobre a minha boca Austera.
Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.
Tempo do corpo este tempo. Da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.
Te descobres vivo sob um jogo novo.
Te ordenas. E eu delinqüescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa
De púrpura. De prata. De delicadeza."

(Hilda Hilst)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011



Não posso adiar o amor para outro século

Não posso
Ainda que o grito sufoque na garganta
Ainda que o ódio estale e crepite e arda
Sob montanhas cinzentas
E montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
Que é uma arma de dois gumes
Amor e ódio

Não posso adiar
Ainda que a noite pese séculos sobre as costas
E a aurora indecisa demore
Não posso adiar para outro século a minha vida
Nem o meu amor
Nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração

(Antônio Ramos Rosa)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

"Quando eu morrer — e hei de morrer primeiro
Do que tu — não deixes de fechar-me os olhos
Meu Amor. Continua a espelhar-te nos meus olhos
E ver-te-ás de corpo inteiro.

Como quando sorrias no meu colo.
E, ao veres que tenho toda a tua imagem
Dentro de mim, se, então, tiveres coragem,
Fecha-me os olhos com um beijo. [...]"
(Álvaro Feijó)


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Noites


"Eu pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
beber na lua
e dormem nas ramagens
das frondes ocultas.
E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.

Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva [...]"

(Frederico Garcia Lorca)